SedeDeQuê?
A arte para garantir os direitos humanos das mulheres
2ª fase: aborto

No Final de 2010, Católicas pelo Direito de Decidir obteve financiamento junto ao Fundo Social Elas para realizar este projeto, que tem por objetivo  ampliar as formas e linguagem de comunicação s

obre a legalização do aborto, utilizando recursos artísticos (teatro, graffiti, vídeo) e novas tecnologias de comunicação (marketing viral na internet). Com isso, pretendemos ampliar os públicos a serem atingidos, propiciando que o tema chegue de forma lúdica e impactante a pessoas que não têm contato com ele.

No Brasil, o aborto é crime, sendo permitido apenas nos casos em que a gravidez é resultante de estupro ou que represente risco de morte para a mulher. A interrupção da gravidez não é permitida em casos de anencefalia e outras anomalias que inviabilizem a vida do feto após o nascimento, mas em alguns poucos casos o procedimento tem sido autorizado por via judicial.

O aborto clandestino é o quarto maior responsável por morte materna no Brasil. A prática contribui com a elevada taxa de mortalidade materna porque é realizado de forma insegura, sem as mínimas condições técnicas e de higiene. De acordo com estimativas governamentais, mais de um  milhão de mulheres se submetem anualmente ao procedimento de abortos inseguros no Brasil, dos quais perto de 400 mil terminam em internação, algumas com seqüelas irreversíveis, e um número não estimado acaba em morte. O agravante é que são as mu

lheres já excluídas ou estigmatizadas socialmente que morrem por aborto inseguro: pobres, negras, jovens.

O movimento feminista brasileiro vem trabalhando para legalizar o aborto, que é um grave problema de saúde pública do país e sua criminalização viola os direitos humanos das mulheres ao impedir que elas exerçam os seus direitos reprodutivos. A modificação da lei, entretanto, vem sendo sistematicamente obstaculizada por setores ultraconservadores do país que, baseados em concepções religiosas, têm interferido na aprovação de leis e aplicação de políticas públicas que garantam os direitos reprodutivos das mulheres. Isso ocorre principalmente pela herança do pensamento religoso de base  judaico-cristã, que permeia as diferentes esferas da sociedade e das instituições.

Para contribuir com a desconstrução destas idéias que conformam a cultura brasileira e

, com isso, alcançarmos em um futuro breve  a legalização do aborto no Brasil, propomos realizar atividades culturais e artísticas que atinjam diferentes públicos e que visibilizem os problemas apontados, promovendo  a divulgação e a popularização de idéias que possam contribuir para ampliar a base social de apoio para a legalização do aborto, para que o aborto possa ser realizado de forma segura e gratuita.

Para isso, CDD-Br apresenta este presente projeto, por meio do qual nos propomos a: 1) realizar intervenções teatrais de rua sobre o aborto; 2)  distribuir folhetos sobre a importância da legalização do aborto para a população durante as intervenções; 3) produzir um mural de grafitti sobre o tema; 4) produzir um blog para levar a discussão para um público formador de opinião; e 5) e filmar e editar algumas das intervenções para difundi-las na internet, ampliando o alcance das atividades realizadas.

Fonte da imagem: http://mulheresemmarcha.blogspot.com/2010/01/aborto-e-direitos-humanos.html